Foi uma experiência inimaginável para mim. O abuso era cotidiano. Saía pela manhã para vender, e voltava para casa já tarde da noite: se não vendesse muito, o pai me batia e insultava. Tal situação foi adiante por bastante tempo, até que um dia, arrasada, triste e impotente, achei que se eu quisesse que acabasse, só haveria uma solução: denunciar o fato à Polícia. Foi então que me indicaram o ‘Don Bosco Fambul’.
Cheguei ali com o coração partido e traumatizada. Mas minha vida começou a mudar: podia brincar e descansar. E pela primeira vez na vida me sentia protegida: davam-me de vestir e cuidavam de mim. As Assistentes Sociais me eram como mães. Conversamos muito. Fizemos sessões e mais sessões de terapia, sessões que tanto me ajudaram. Pude ler livros, usufruir de ambientes recreativos, participar de algumas excursões que me permitiram conhecer um... outro mundo, com cores diferentes, com significados novos.
Passei um ano nessa Casa para Meninas. Minha mãe, que deveria vir em meu auxílio, rejeitou-me. Bem que os Salesianos tentaram a reunificação com minha família, na Nigéria, mas deu tudo em nada.
Nos exames escolares fui promovida, e inscrevi-me no ginásio, podendo também contar com o programa de bolsas de estudo «Hope+». Nesse meio tempo, continuaram as visitas de acompanhamento...
Com o auxílio de todas essas Pessoas, pude superar o exame final com um resultado excelente: matriculei-me no Curso para Assistentes Sociais, junto à Universidade “Fourah Bay”, de Serra Leoa.
O meu desejo é voltar a Fambul uma segunda vez: desta vez porém não como beneficiaria, mas como Assistente Social. Quero salvar a vida de outras meninas como eu. E ser para elas um Ponto de Referência.