PARA QUE TENHAMOS VIDA EM ABUNDÂNCIA
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12 abril 2017

O meu pensamento voa até às numerosas presenças salesianas do mundo, porque o meu sonho é que elas sejam verdadeiros dispensários de vida para muitos jovens, uma vida superabundante, autêntica, válida, que lhes dê dignidade e os ajude a experimentar o grande dom que é Deus nas suas vidas

A festa da Páscoa aproxima-se, caríssimos amigos da Família Salesiana e leitores.

Sabemos bem o que significa celebrar a Páscoa, todavia, ano após ano, vivemos a surpresa de descobrir tantas realidades belas e sempre novas que esta festa suscita em nós. Na natureza, o tempo da Páscoa é o mais belo. Também a liturgia e as nossas igrejas se enchem de cânticos maravilhosos, de luzes e de flores. A sua mensagem principal é que a nossa vida não termina com a morte. Na morte ressurgiremos em Deus.

Jesus, o Senhor, resuscita, volta à VIDA com maiúsculas, a Vida Nova.

Deste modo, Deus Pai manifesta ao mundo que a última palavra não é da morte, nem de tudo aquilo que a causa: as nossas pequenas e grandes violências, os egoísmos, as guerras. E o longo cortejo de “sofrimentos” que consigo acarreta, como a degradação e a agonia das pessoas que sofrem nas relações humanas, dos que são explorados, humilhados, rejeitados e excluídos.

Porque o que Deus quer para as criaturas humanas, isto é, para todos nós, é que tenhamos vida e vida em abundância.

A ressurreição de Jesus não se refere apenas ao que acontecerá na nossa morte e depois dela. Nós celebramos a ressurreição de Jesus para ressurgir já agora da morte para a vida. Na fé ultrapassamos o mundo que é escravo da morte.

Desde o extremo oriente até ao último extremo do ocidente, tal como o percurso do sol, move-se no mundo a bondade dos salesianos

Inevitavelmente, o meu pensamento voa até às numerosas presenças salesianas do mundo, porque o nosso sonho é que elas sejam verdadeiros dispensários de vida para tantos jovens, uma vida superabundante, autêntica, válida, que lhes dê dignidade e os ajude a sentir o grande dom que é Deus nas suas vidas.

O meu pensamento do oriente ao ocidente. Penso no lugar que todos os dias é o primeiro a ver a luz do sol no mundo salesiano, em concreto a presença salesiana da ilha de Savai’i no arquipélago de Samoa, onde conheci jovens estupendos e uma dinâmica comunidade que os acompanha no caminho da vida. E penso também nas presenças mais a ocidente do mundo salesiano, que são as da costa ocidental dos Estados Unidos.

E, quase como quando Dom Bosco sonhava a expansão da sua Congregação, sinto a felicidade de saber que em tantos lugares as simples obras do mundo salesiano são casas que oferecem vida aos rapazes e aos jovens. Quer em Samoa ou nas Ilhas Salomão ou na Papua Nova Guiné, com uma ótima formação profissional que prepara para a vida concreta; quer em Kolkata, Delhi ou Chennai, entre tantas outras, com as casas em que os meninos e meninas que abandonaram a sua difícil existência na rua se abrem a uma vida nova encontrando o calor e o carinho de uma família.

Tal como na casa salesiana de Istanbul ou na de Aleppo; vida que rapazes e raparigas encontram em centenas de casas da família salesiana na África: os garotos da rua de Addis Abeba ou as meninas salvas da exploração sexual na Serra Leoa ou também os meninos da rua em Moçambique e em Angola.

Vida nova que procuram também os jovens imigrados acolhidos na família salesiana em Catânia ou em Nápoles e em tantas outras obras da Europa. E dom de vida encontram os adolescentes e os jovens que deixaram a guerrilha na Colômbia ou vivem na Ciudad Don Bosco de Medellín, ou os milhares de refugiados na fronteira com o México em Tijuana, onde os nossos irmãos e irmãs simplesmente partilham com eles o pão e a vida.

Tudo isto e muito mais me inspira a celebração da Páscoa. Não pode ser uma celebração sem Deus, sem Mistério, sem a força do Espírito que ressuscita Jesus. Mas também não pode ser uma celebração “espiritualista vazia” em que a vida e a dor dos filhos de Deus parecem não contar. Para Jesus contavam, e no dia a dia caminhava imerso na vida da sua gente, sobretudo dos mais pobres e mais débeis.

O tempo pascal convida-nos a seguir o caminho da ressurreição. A pedra que talvez pareça bloquear-nos foi retirada. Cristo ressuscitado vive agora infundindo em nós a sua energia vital. É Ele a “lei secreta” que orienta o caminho de tudo para a vida. Porque é Ele o “coração do nosso mundo”.

Meus queridos amigos e amigas, não permitamos que estas coisas simples mas muito importantes nos escapem. Que a celebração da Páscoa do Senhor nos encha de alegria, de esperança, de Fé profunda. Para isso o nosso objetivo perene deve ser o de oferecer vida e vida abundante, digna, autenticamente humana, a todos aqueles a quem foi destruída, ferida e acorrentada pelas violências, pelas angústias e pelos constrangimentos do nosso mundo.

Convido-vos por isso, com a força da Páscoa, a que não vos habitueis a olhar com insensibilidade e indiferença para tantas pessoas que não sabem verdadeiramente o que é uma “vida boa”.

Feliz Páscoa no Senhor!            

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